sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Li hoje um texto no qual o autor se dizia muito preocupado com a imensa incapacidade das pessoas - atualmente -de não ver mais o outro, não se incomodarem com a dor ou a alegria dos outros e os ouvidos hoje não estarem mais dispostos a ouvir e apenas a boca funcionar seja para reclamar, retrucar ou qualquer coisa de qualquer natureza que não seja a imensa satisfação de estar sempre na berlinda 
Hoje também estava assistindo um programa desses bobos que fazem com que a nossa cabeça voe no espaço e no tempo... Me vi de repente vertendo lágrimas - muitos diriam: Que boba!- afinal o programa era um desses que você tem dificuldades e chama alguém para te ajudar- seja um "mude o meu visual" "santa ajuda"... Hoje contava a historia de um casal que comprou um apartamento estilo casa e sempre reúne os amigos no quintal e pelo fato do quintal estar horrendo chamou essa decoradora para ajudá-los. Quem choraria diante de um programa desses??? Eu. Entendam não e o programa em si, mas a imensa capacidade que se tem de renovação, de mudança e de fé que as coisas não ficam sempre ruins.
Ao final um programa que era para decorar um espaço acabou por mudar a vida do casal que passou a reunir-se e tomar o café da manhã  e ter um momento em que a emoção é valorizada. 
Vi então nesse momento que àquele autor não precisa ser extremista ao desnortear-se com a falta de emoção diante do outro. 
Num mundo de pedra ainda há esperança de nascer um planta ou quem sabe uma flor para colorir nossas manhãs...  

Abraço a todos
Angel

sábado, 14 de julho de 2012

 O comércio descobriu mais uma data:   O DIA DO HOMEM . Tudo está tão comercial que um dia acordaremos e já nem saberemos qual é o dia , quanto ele vale, o que temos que comprar para viver aquele dia "D" . Prefiro comemorar o Dia dos Homens com um poema de Carlos Drummond de Andrade: Leiam e reflitam sobre este novo homem...
O Novo HomemO homem será feito 
em laboratório. 
Será tão perfeito como no antigório. 
Rirá como gente, 
beberá cerveja 
deliciadamente. 
Caçará narceja 
e bicho do mato. 
Jogará no bicho, 
tirará retrato 
com o maior capricho. 
Usará bermuda 
e gola roulée
Queimará arruda 
indo ao canjerê, 
e do não-objecto 
fará escultura. 
Será neoconcreto 
se houver censura. 
Ganhará dinheiro 
e muitos diplomas, 
fino cavalheiro 
em noventa idiomas. 
Chegará a Marte 
em seu cavalinho 
de ir a toda parte 
mesmo sem caminho. 
O homem será feito 
em laboratório 
muito mais perfeito 
do que no antigório. 
Dispensa-se amor, 
ternura ou desejo. 
Seja como for 
(até num bocejo) 
salta da retorta 
um senhor garoto. 
Vai abrindo a porta 
com riso maroto: 
«Nove meses, eu? 
Nem nove minutos.» 
Quem já concebeu 
melhores produtos? 
A dor não preside 
sua gestação. 
Seu nascer elide 
o sonho e a aflição. 
Nascerá bonito? 
Corpo bem talhado? 
Claro: não é mito, 
é planificado. 
Nele, tudo exacto, 
medido, bem posto: 
o justo formato, 
standard do rosto. 
Duzentos modelos, 
todos atraentes. 
(Escolher, ao vê-los, 
nossos descendentes.) 
Quer um sábio? Peça. 
Ministro? Encomende. 
Uma ficha impressa 
a todos atende. 
Perdão: acabou-se 
a época dos pais. 
Quem comia doce 
já não come mais. 
Não chame de filho 
este ser diverso 
que pisa o ladrilho 
de outro universo. 
Sua independência 
é total: sem marca 
de família, vence 
a lei do patriarca. 
Liberto da herança 
de sangue ou de afecto, 
desconhece a aliança 
de avô com seu neto. 
Pai: macromolécula; 
mãe: tubo de ensaio, 
e, per omnia secula
livre, papagaio, sem memória e sexo, 
feliz, por que não? 
pois rompeu o nexo 
da velha Criação, 
eis que o homem feito 
em laboratório 
sem qualquer defeito 
como no antigório, 
acabou com o Homem. 
       Bem feito. 

Carlos Drummond de Andrade, in 'Versiprosa'

sábado, 23 de junho de 2012

Hoje acordei e lembrei que tenho um BLOG (hahahahaha).Não tenho lá muito tempo para escrever nele,acho que aqui cabe dizer também que sou assim ,como muitos, às vezes deixamos a banda passar e quando percebemos já estamos até apagando as luzes e não participamos da festa.

Quando ouvimos a música de Chico e a poesia "Estava à toa na vida e meu amor me chamou pra ver a banda passar tocando coisas de amor" e nos apresenta  inúmeros personagens em seus afazeres mas todos param diante da banda que assim como na vida se apresenta de forma tão diversa...
A banda toca coisas de amor e nós somos convidados a enxergar o AMOR , esse tantas vezes cantado, recitado,vivido e tão pouco compreendido.
Se fôssemos perguntar a muitas pessoas o que realmente as impulsiona, as surpreende e as deixa sem resposta,elas não lhe diriam porque às vezes nem sabem ,mas  isso seria o amor.
 Apesar de vivermos em uma sociedade pautada pelo ter, onde o materialismo parece ter-se tornado a essência e todo o resto a aparência , a maioria de nós busca o amor como essência em sua vida.
E aqui faço alusão a todo tipo de amor e vou dançar em Caetano "Qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor vale amar..." Pensando sobre o amor olhe para o seu: Como vai?


domingo, 25 de março de 2012

ÁGUA- CADA UM ENXERGA O QUE QUER Nunca mais havia postado nada.Pela falta de Net, pela falta de tempo e por outros motivos. Esta semana que passou comemoramos o dia mundial da água e eu amazônida e ribeirinha resolvi postar algo para nos trazer uma reflexão sobre este presente que recebemos e que estamos estragando por ganância, mal uso e outras atitudes tão próprias de quem é individualista.Estamos vivendo em um mundo que as pessoas não param para pensar no coletivo,mas fazemos parte de uma imensa corrente da qual somos apenas um elo. Pense no está fazendo e no que ainda pode fazer para não perdermos algo indispensável a todos nós.